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sexta-feira, 18 de março de 2016

Feliz 1969 para vocês também



No livro ‘1968: O ano que não terminou’, o escritor e jornalista Zuenir Ventura narra os fatos conturbados que marcaram aquele ano no Brasil e no mundo, assim como suas consequências.  As bandeiras da liberdade e da democracia, os personagens que estavam na linha de frente contra a ditadura militar, como os estudantes, estão nas páginas do livro que, às vezes, num lirismo romântico, conta como eram aqueles dias.

Atualmente os dias são conturbados, mas as bandeiras estão desbotadas; os estudantes vão às ruas, mas sem romantismo, pelo contrário, ocupam os lugares públicos com truculência e vazio ideológico. O clima nas ruas é pesado, não temos mais os ‘Festivais da Canção’ para conversar; não temos Sabiá, Andança, Pra não dizer que não falei de flores, Caetano não está discursando depois das vaias em ‘É proibido proibir’.

Lamento por essa juventude que está aí, criada a base de He-Man, Nintendo e Pokémon, que não sabe quem foi Vladimir Herzog, Carlos Lamarca e a VPR. Olham para a vitrine neoliberal e entregam, de bandeja, um possível flerte com a esquerda de Cláudia Cardinale, para cortejarem a direita de Susana Vieira, representante, de saias, do PIG.

A geração do livro de Zuenir se preocupava com as conquistas que hoje são perseguidas pelo mesmo quartel de ‘Abrantes’, que se organizam de forma coerente com o lado que a história os atribuiu, que insultam a democracia como se fosse possível sorrir naturalmente sem ela, que agridem a liberdade de opinião com a surdez dos estúpidos e a cegueira dos inconsequentes.

O cinema, o teatro e a música eram mais importantes do que a televisão, apesar de toda a novidade tecnológica que representava, mas o monstro cresceu se alimentando da censura, da tortura e do exílio. Hoje engole, sem mastigar, a cultura, a informação e a crítica, depois seus dejetos vão parar nas panelas de uma sociedade que engorda com o subproduto derivado dessa mistura.

E estamos assim, com as calças arriadas diante de uma justiça autoritária, Opus Dei, não se discute. As razões para as manifestações são montadas, folha por folha, em um processo abjeto, totalmente partidário e vingativo. Zuenir Ventura também escreveu um livro sobre a inveja onde ele afirma, ‘A inveja é inconfessável, mas ninguém se livra dela’. Dá para perceber o grau de inveja por parte da sociedade branca e rica, que não suporta mais o operário nordestino, sem nível universitário, como têm seus tios, filhos e pais, desfilar pelo mundo recebendo homenagens e títulos.

A história já contou esse capítulo, no final eles condenam previamente, afastam os intelectuais das ruas, proíbem Marx e Trotsky, os meninos e as moças recuperam seus brinquedos e voltam a sentar na janela, desligam-se os holofotes e calam-se os microfones. Tudo volta à normalidade, sem incômodos no castelo.

Só que não!

Ricardo Mezavila.

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