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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O eleitor e o burrico






O primeiro livro que li foi 'Burrico Lúcio', do escritor sírio-greco-romano Luciano de Samósataque. O livro conta a história de Lúcio, um jovem que é transformado em um burrico e se vê, de uma hora pra outra, às voltas com ladrões, aproveitadores, servos e escravos, vivendo com eles uma série de aventuras.

Adolescente tive a oportunidade de ler 'Metamorfose', do escritor alemão Franz Kafka. Numa certa manhã, Gregor Samsa acorda metamorfoseado num inseto monstruoso. Kafka descreve este inseto como algo parecido com uma barata gigante.


Existem muitas semelhanças entre um 'homem burro' e um 'homem barata'. O jovem Lúcio, por exemplo, na condição de animal, tem uma vida agitada, aprende com suas experiências o que é bom e o que é ruim. Quando volta ao normal é um jovem amadurecido e consciente.

O caixeiro viajante Gregor Samsa, personagem de Kafka, quando se vê no corpo de uma barata não se preocupa pela transformação, mas sim pelo fato de estar atrasado para o trabalho. Samsa abandonara seus desejos para sustentar a família e pagar as dívidas de seus pais.

Gregor e Lúcio são personagens atuais com os quais convivemos internamente. Ambos tiveram a experiência de viver uma outra vida, de se colocar no lugar do outro. Seria institucionalmente benéfico se, na hora de votar, os eleitores fossem mais Gregor e Lúcio e menos burricos e baratas.

A literatura é capaz de transformar insetos em homens, príncipes em sapos, abóboras em carruagens. Fora a literatura somente a política é capaz de transformar o homem em outra coisa, objeto ou animal.

Ricardo Mezavila.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Entre as armas e os livros





As pesquisas de intenção de voto mostram que o país está dividido já no primeiro turno, como estava no segundo quando das eleições anteriores. Desta vez polarizam, não tucanos e petistas, mas a extrema direita e o petismo.

Apesar de o petismo continuar na polarização, não é aquele petismo vitorioso da época do presidente Lula com índices positivos em quase tudo.


O petismo atual vem de uma queda desde 2015, que levou o partido a ter somente 8% da preferência do eleitorado, frustrando prefeitos à reeleição em 2016, por conta das inúmeras delações contra seus dirigentes.

À cabo, as delações levaram Lula, representante maior do petismo, à prisão em abril. onde permaneceu candidato até onze de setembro, data limite dada pelo TSE para a troca de Lula por outro candidato.

Sem Lula, o petismo anunciou o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Lula tinha por volta de 40% das intenções de votos. Em uma semana, Fernando Haddad saiu de 4% para 19%, na onda da transferência de votos de Lula.

A injusta prisão de Lula e o desastre do governo Temer fez a nação perceber que o golpe que tirou Dilma, veio para tirar direitos dos trabalhadores e daqueles que mais precisam do Estado. Essa percepção fez o Partido dos Trabalhadores saltar de 8% para 29% de simpatizantes, seus filiados já ultrapassam três milhões.

Sem o financiamento empresarial e marqueteiros, os candidatos levam a campanha 'no braço' . A bola está dividida entre a democracia e a ditadura; entre a civilização e a barbárie. De um lado o candidato das armas e do outro o candidato dos livros. O bom disso tudo é que a gente é que escolhe.

R.M.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Conservadores esquizofrenicos






Circula nas redes sociais, li no twitter, um texto conservador que diz que vivemos uma esquizofrenia social. Para justificar esse pensamento retrô, o autor, ou autora, fez uma lista de situações onde prevalece o conceito de nação, raça, religião e família sobre os direitos individuais.

O texto começa na primeira pessoa do plural e depois vai para terceira, e fica variando entre os pronomes indefinidos. É um amontoado de clichês hipócritas de uma sociedade falida que introjeta no outro as suas frustrações.


Fica claro que o conjunto de ideias faz referencia velada de apoio à candidatura fascista militar, que nos últimos dias vem fazendo ameaças à democracia, essa frágil senhora tão vilipendiada nos últimos anos.

O autor(a) recorreu às antíteses para sublimar o bem e o mal, o certo e o errado, o moral e o imoral, o justo e o injusto. Uma dicotomia metade clara e metade escura, com o intuito claro de dividir.

O autor(a) e seus compartilhadores usam o maniqueísmo e dividem o mundo em situação e oposição, como poderes opostos e incompatíveis.

Metade do texto é homofóbico e a outra metade também. Infeliz de quem concorda com os pontos ali colocados. Não vai dar tempo de reconstruir a democracia se persistirem no erro da divisão, da subjugação e da ojeriza à diferença.

Na luta do bem contra o mal, é sempre o povo que morre, já disse o escritor uruguayo Eduardo Galeano.

Ricardo Mezavila.

Ovelhas, abram suas cabeças!



Os pastores evangélicos, não todos, estão em campanha junto às igrejas para votarem no Bozo. É incoerente com o que eles pregam, apesar do dízimo ser mais importante do que o culto, mas ainda assim é incoerente. A igreja, como instituição, tem o dever de ser contemporânea, falar sobre todos os assuntos, mas nunca tentar persuadir seus membros que devem exercer o direito ao livre arbítrio.

O candidato do fascismo está sendo abraçado por homens e mulheres que se apresentam como 'cristãos', que passam dias e noite incomodando a vizinhança, liderando gritos histéricos, evocando o mal para venderem o bem. O cristão não age assim, nem em Jerusalém e nem em Japeri. Estão tratando a religião como um comércio paralelo, onde traficam a fé no varejo para uma clientela de desesperados.


Como pode um cristão apoiar a pena de morte, o preconceito e o racismo, aplaudir quando o candidato vem a público e diz que 'famílias chefiadas por mãe e por vó, são fábricas de traficantes" ? Os pastores, agem de má fé em suas cartilhas, fingem uma luta contra um regime, o comunismo, que deu errado no início do século passado e que não ameaça nenhuma nação, muito menos a nossa.

Os pastores, lembrando que há exceções, na ânsia de contar mais cédulas, pregam sobre assuntos que não têm conhecimento. A única proposta do Bozo em comum com a igreja é ser contra o aborto. Ele é contra abortar o feto, mas é a favor de prender e matar quando ele nasce, cresce e vira adolescente sem ter tido oportunidade.

Como pode um evangélico aprovar quem é contra alimentar o pobre? Em que versículo da bíblia diz que a mulher é inferior ao homem, que ser pai de menina é dar uma 'fraquejada', que namorar negro é promiscuidade, que um torturador merece estátua, que sugere a uma pessoa de outra etnia comer capim e voltar para o zoológico ?

As ovelhas apascentadas por esses pastores, os que agem fora dos preceitos cristãos, andam nas trevas que eles fomentam, assim como fomentam as manifestações de apologia ao estupro, ao ódio e ao fascismo na figura e na voz do candidato que apoiam.

Ricado Mezavila.

domingo, 16 de setembro de 2018

O antipetismo sem causa




Ser antipetista sem causa, em primeiro lugar, é ser burro, mas sem pejorativos. O burro é o animal preferido para o trabalho pesado, são resistentes e dóceis com grande capacidade de equilíbrio. Atravessam trilhas sinuosas, pedregosas e íngremes com grande agilidade.

Então, ser 'burro' não devia cair como ofensa, mas a civilização menosprezou as qualidades do animal e a ele foi transferido adjetivos que servem às lontras marinhas, por exemplo.


As lontras marinhas estupram filhotes de focas até a morte, parte do processo envolve segurar a cabeça da 'vítima' sob a água, o que acaba por matá-la; sequestram filhotes da própria espécie para que a lontra mãe pague o resgate com alimentos.

Analogia feita, sem ofensas e com licença poética, o antipetismo só é aceitável se vier de alguém que tenha alguma proposta, algum projeto que possa ser comparado com o dos petistas, fora isso, é inóspito e beira à ignorância política. Não dá só para ouvir o clássico "Lula é ladrão", a pérola do analfabeto, sem dizer o que foi que ele roubou. Nem a justiça conseguiu provar sua culpa. Lula está preso para não ser candidato, para não incluir, novamente, o pobre no orçamento.

O antipetismo sem causa é produzido pelos 'jornais nacionais' que idiotizam com informações corporativas e difamatórias, e à programação diária que infantiliza a plateia, que é a audiência que dá suporte, ingenuamente , para que o quinto poder, algoz venerado, faça valer seu interesse e de seus sócios

Para ser antipetista tem que ser contra si próprio, contra os milhões de empregos, as dezenas de Universidades e jovens negros formados, de Escolas Técnicas, de créditos para agricultura; de incentivo a projetos como o Ciência sem Fronteira, Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Família, Luz para Todos, Prouni, FIES; é ser contra a erradicação do trabalho escravo e a infraestrutura que beneficiou comunidades distantes e historicamente abandonadas.

Seria interessante se o antipetista sem causa estudasse o que os partidos têm a apresentar através de seus candidatos, avaliasse a cena política sem idolatria a candidatos totalitários e falastrões, para depois criticar o PT.

Ricardo Mezavila.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

De como o que é ruim pode ficar pior




Antes de o general Hamilton Mourão ser oficializado como candidato a vice-presidente na chapa que tem Jair Bolsonaro como candidato à disputa majoritária, a advogada Janaína Paschoal e o senador Magno Malta haviam recusado.

Janaína é aquela que ficou conhecida como a "bruxa' do impeachment, que recebeu dinheiro do PSDB para apresentar o pedido ao deputado Eduardo Cunha, o 'caranguejo' na lista da Odebrecht. Janaína concorre à Câmara dos deputados.


Magno Malta é senador pelo estado do Espírito Santo, pastor evangélico e conhecido, além de outras complicações, pelo desvio de verbas na compra de ambulâncias em seu estado. É um soldado de Temer no Senado, pau para toda obra dos golpistas. Vai tentar a reeleição.

Com as negativas dessas duas personagens, o PSL, partido de Bolsonaro, estudou a indicação do presidente do PRTB, Levy Fidelix, condenado por prática de discriminação homofóbica, tendo dito a máxima de que "aparelho excretor não reproduz" e ter incitado a população a enfrentar os gays e exterminá-los. O PRTB indicou para vice o general Hamilton Mourão.

O general é autor da frase "negro é malandro e índio é indolente", disse também que "Constituição não precisa de ser feita por representantes eleitos pelo povo". Costuma homenagear publicamente o torturador coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o primeiro militar a ser reconhecido pela justiça como torturador durante a ditadura.

Olha a faca! Inacreditável que o autor da facada tivesse chegado tão próximo ao candidato rodeado por policiais. Adélio, o esfakeador, sem ter levado um soco, foi retirado dali direto para a delegacia e transferido para um presídio em Mato Grosso, onde se encontra incomunicável.

Adélio está sendo atendido por quatro advogados, um deles viaja em avião particular. Pelo que se sabe Adélio está desempregado. Quem está por trás dele? Quem paga as custas dos advogados? Com Bolsonaro hospitalizado, Mourão procurou a justiça para substitui-lo nos debates, sem comunicar aos partidos. Ainda rosnou isso sobre a sua recuperação: "Esse troço tá demorando tempo demais".

É esse o quilate das pessoas que rodeiam e são pares de Bolsonaro: 'Bruxas', 'caranguejos', corruptos. golpistas, homofóbicos, traíras, racistas, torturadores. Jair Bolsonaro é um igual e pode até ser o craque desse time, mas de capitão ele só tem a patente que, aliás, foi cassada e devolvida posteriormente.

Ricardo Mezavila.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

No twitter, com um Bolsominion





Conversando no twitter com um bolsominion por quinze minutos ele repetiu, não sei quantas vezes, as palavras: Cuba, Venezuela, corrupção, Lei Rouanet, estupro, armas,bandido, PT, PSOL, Fidel, Maria do Rosário, comunismo, socialismo, quilombola, tortura, terrorismo, maconha, parada gay, Lula e Chico Buarque.

Bolsominions são contra tudo o que diz respeito à preservação da cultura, meio ambiente e patrimônio histórico. Para eles quem defende a Amazônia é maconheiro, quem vota no PT é comunista e quem pega recurso da Lei Rouanet é viado, simples assim.


Com severas dificuldades cognitivas, não articulam uma frase que tenha coerência. Começam criticando a roubalheira do PT e, depois da vírgula, falam de um suposto ditador cubano que mata a família de quem foge para os EUA, para "dar o exemplo", fez questão de afirmar.

Defendendo seu candidato, disse que não acha justo que quilombolas sejam sustentados pelo governo, porque metade do país é de negros e isso pode influenciar que todos parem de trabalhar para viver de subsídios governamentais. Na cabeça dele o negro é, como disse o general Mourão, malandro e o índio indolente.

Podem crer, essa pessoa está aí do seu lado, pensando exatamente a mesma coisa, corroborando com o fascismo. Aconselhei que fosse ler um livro e fixasse menos nos noticiários sensacionalistas porque isso acaba fazendo mal, trazendo negatividade. Ele concatenou isso, sobre o que falei: "Se você espera que o Lula te tire da miséria, espera sentado". [sic]! Fim.

Ricardo Mezavila.

Guerra ou música?





O embate político nesse primeiro turno das eleições ainda está morno. Pode parecer estranho, mas mesmo com um atentado e uma impugnação, os ânimos andam calmos, apesar de muitas manifestações pelas redes sociais.

O general, vice na chapa do PSL, entrou na justiça reivindicando comparecer aos debates no lugar do candidato hospitalizado. Seria normal se tudo tivesse sido às claras, com o conhecimento e consentimento do candidato. Mas, como general não bate continência para capitão...


Isso lembra a fábula do sapo que recusou que o escorpião atravessasse o rio em suas costas. O sapo disse que não confiava, que poderia levar uma mordida durante a travessia. O escorpião alegou que se fizesse isso seria imbecil porque não sabia nadar. O sapo cedeu e no meio do rio foi mordido. Antes de morrer perguntou: "Por que você fez isso? Vai morrer afogado." O escorpião respondeu:"Porque é da minha natureza". A tendência da chapa neofascista militar é morrer abraçada, envenenada pelo beijo da morte.

No segundo turno vai ser diferente e os eleitores vão estar, possivelmente, diante de dois extremos: A civilização e a barbárie. Apesar dos contratempos da chapa da extrema direita, eles ganharam fôlego para chegar à disputa, embora praticamente derrotados pela rejeição.

Se o segundo turdo for entre Haddad e Bolsonaro vai ser muito pedagógico. A diferença de propostas e ideologias são abissais, como as fotos onde um aparece segurando uma metralhadora e o outro tocando guitarra. A metáfora não podia ser melhor: é guerra ou música.

Ricardo Mezavila

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Somos todos Lula





De certa forma todos somos Lula, se levarmos em conta que o ambiente político eleitoral depende de sua candidatura. As pesquisas mostram todos os candidatos estagnados, os debates são modorrentos e sem audiência. Falta o candidato do PT na eleição e a alegria de sua militância.

Nem a 'esfakeada' no fascismo em Juiz de Fora foi suficiente para movimentar os números. O general que é vice na chapa do PSL tentou puxar para si as atenções dizendo: "Somos nós os profissionais da violência".


O 'esfakeador' está detido em Mato Grosso esperando a hora de vir a público e dizer que o evento foi arquitetado pelo Partido dos Trabalhadores. Essa é a bala de prata que os golpistas estão guardando para atirar no segundo turno das eleições.

Um outro milico, o Villas Boas, anda falando por aí que as forças armadas não aceitam a candidatura Lula. As declarações do general são graves e confirmam o que todos sabemos, que os militares estão pressionando a Suprema Corte. A democracia está 'nas cordas' e a caserna preparando o golpe.

Com a perseguição a Lula, o judiciário alcançou níveis inacreditáveis de bizarrice e descrédito. Negam tudo para a defesa, encurtam os prazos, censuraram até o nome Lula no horário eleitoral.

A estratégia petista de levar a candidatura Lula até às últimas consequências, ou seja, correndo o risco de a chapa vir a ser impugnada, foi abortada, porque existe uma lei só para conter o presidente Lula, o afastando da presidência da república.

O PT vai homologar a chapa Fernando Haddad e Manuela D'Ávila, do PCdoB, para as eleições de outubro. Ainda vão fazer de tudo para derrotar o Partido dos Trabalhadores, trocar delação por liberdade, mas o povo vai transferir seu voto de esperança em Lula para Haddad. Prenderam Lula, mas não vão prender uma ideia, o nosso voto é livre.

Ricardo Mezavila.

Meus pintinhos venham cá



A Suprema Corte funciona sob pressão do comando das forças armadas, e esta sob as ordens expressas dos EUA. A classe política representa o papel menor nessa conspiração antidemocrática, representa as oligarquias e os monopólios internos, que são os sócios do esquema internacional.

No Brasil a sociedade está sem amparo legal, sem justiça e sem constituição. Cada grupo faz o que bem entende seguindo o roteiro de seus interesses. O antigo três poderes está esfacelado, não se orientam pelo mesmo princípio legal, não são partes complementares do direito democrático.


As forças armadas, que deveriam executar o que está na constituição e atuar em defesa do Estado e das instituições democráticas, fazem o inverso, atuam na defesa do interesse internacional e tutelam as instituições através da censura e de ameaças à democracia.

Parte da sociedade brasileira está puxando o cabo de guerra para a incivilização, estão aliados, ou por interesse próprio, ou por burrice, ao que há de mais atrasado em modelo de governabilidade.

Homens e mulheres que cresceram na época da ditadura pensam que tudo será rosa com os militares de volta, parece que nunca leram nada além da cartilha 'caminho suave', nunca voaram para fora do ninho, ainda vivem com medo dentro da caverna.

Parece que querem voltar a brincar de 'chicotinho queimado' e 'mamãe posso ir''. Os tempos são outros e os 'pintinhos', velhos e idiotas, insistem em chamar a raposa, cúmplice da galinha, novamente para o pátio.

Ricardo Mezavila.