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domingo, 6 de agosto de 2017

O Brasil de Temer






O Brasil de Michel Temer é, de saída, um país triste. A alegria saiu de cena, a esperança foi sepultada. As mãos dos ladrões embalam o berço esplêndido, açoitam o corpo do gigante que sonha com o fim da fraude.


A foice, símbolo do trabalhador camponês e o martelo, símbolo do trabalhador operário, foram feridos pelas reformas patronais na CLT e com a da Previdencia que estar por vir.


O Brasil de Michel Temer é sombrio, gelado, soturno, calado, sorrateiro, mocozado e careta. Muitos de nós, do povo, que tiramos a eleita Rousseff, somos assim também.


Trocamos a democracia tão valiosa, que nos custou tantas vidas, por uma sociedade sinistra de homens machistas, preconceituosos e que se comunicam através de sinais ocultos.


O Brasil de Michel Temer é rico para o rico e pobre para o pobre. Não tem meio termo, isso é isso e aquilo é aquilo. Homem é da rua, provedor e mulher é da casa, submissa, não há espaço para a discussão de gênero.


Apeamos da cadeira uma mulher e sua equipe democrática e colocamos um homem autoritário e sua equipe de estelionatários.


O Brasil de Temer não tem música, poesia, artes plásticas, dança e todo o tipo de cultura. É um governo de párias, vendidos e entreguistas.


O Brasil de Michel Temer não é o meu Brasil - preservado em toda a sua exuberânica estética e criativa - e o de milhões de brasileiros, que não navegam nessas águas sujas de dejetos políticos, onde pescadores de ocasião atiram seus anzóis para fisgar inocentes úteis.


Ricardo Mezavila.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Perseguindo Lula




Sei lá quando, mas ouvi uma frase de um personagem que fazia o papel de um fugitivo. Ele, ao ser questionado se viver fugindo era muito complicado, disse que não, que como fugitivo ele podia ir para qualquer lugar, complicado era a vida de quem o perseguia.

A vida dos 'perseguidores' da internet é mais ou menos assim, em relação ao Lula. Não se encontra nenhuma linha ideológica, ou minimamente coerente com a insistência dos anti-lulistas, que sem argumentos, reproduzem preconceito, ódio e ignorância.


Não importa se o governo Temer e seus asseclas congelaram investimentos na educação e saúde por vinte anos; lotearam o pré-sal para multinacionais; derrotaram os trabalhadores com uma lei que beira a revogação da lei Áurea; elevaram o tempo de contribuição previdenciária para dificultar a aposentadoria.

Os perseguidores de Lula não estão nem aí para as retiradas de direitos; não estão nem aí se o Supremo Tribunal Federal enfia seu dedo sujo no rabo da justiça; não estão nem aí para as confissões de crimes dos tucanos; nem aí para a justiça parcial e seletiva. O que importa é condenar e ineleger Lula.

Sobre figuras exponenciais da vida pública que entraram para a história, lembro de Mahatma Gandhi, condenado pela justiça por lutar pela libertação da Índia; de Mandela, condenado pela justiça por lutar contra a segregação racial na África do Sul; de Pepe Mujica, condenado pela justiça por lutar contra a ditadura militar no Uruguay; de Milagro Sala, condenada pela justiça por lutar pela retirada de direitos sociais na Argentina.

Os perseguidores são limitados intelectualmente, não produzem, são parasitas guiados, hospedeiros de ideias e atitudes perigosas que fortalecem, dão voz aos fascistas e não percebem, ou não ligam,o que é pior, de servirem de massa de manobra.

Ricardo Mezavila. ☯️☮️☪️

terça-feira, 27 de junho de 2017

Não honram as calças que vestem




O legislativo, executivo e judiciário, são poderes que deveriam funcionar, constitucionalmente, em nome de uma sociedade igual e justa. Não é isso o que os atuais poderes vêm representando. Assistimos, com indignação e incrédulos, aos absurdos que essa casta de privilegiados cometem.

Desde a reeleição da Presidenta Dilma Rousseff, em 2014, o país foi tomado por uma campanha de ódio encabeçada pelo senador Aécio Neves, hoje envolvido até os ‘bagos’ em corrupção, obstrução de justiça, ameaças de morte e outros crimes próprios dos mafiosos.

Essa onda de ódio, fomentada por empresários e divulgados exageradamente pela mídia, levaram parte da população que se alimenta de jornais, revistas e noticiários tendenciosos, a nutrirem um desejo patético e imbecil de ‘morte ao PT’ e ao Lulopetismo. Foram criadas hordas de marionetes vestidos com a camisa da CBF de ‘teixeiras’ e marins’, que ocuparam as ruas exigindo a cabeça de Dilma e de Lula.

O Congresso entrou no espetáculo e iniciaram o processo GOLPISTA contra uma mulher honesta, sem envolvimento ilícito, mas que resolveu apoiar o trabalho da PF e do MPF, dando total liberdade para que a quadrilha dos políticos e empresários corruptos fosse investigada.

A apoteose do GOLPE foi a votação em que as ratazanas unidas, de dentro da Câmara dos Deputados, despejaram raivosamente e devidamente ungidas pelo dinheiro público, seus ataques hipócritas que retirou o mandato de Dilma.

Nas janelas, varandas e nas ruas, uma gente enganada e contaminada pelo veneno do GOLPE, comemorou a vitória dos derrotados, dos inescrupulosos e desonrados homens públicos. Assumiu o devasso vice-presidente Michel Temer, o homem da JBS, o mordomo de uma história que parcela da população pagou para assistir do lado de fora.

Agora estão aí trabalhando para destruir os direitos dos trabalhadores, da previdência, das indústrias, causando o maior desemprego da história, a maior crise institucional já vivida. Deram o GOLPE, mas não conseguiram sustentar seus rabos dentro das calças por muito tempo. Estão nus e sequer podem circular sem serem ‘escrachados’.

Heróis fabricados surgiram, como o juiz Sérgio Moro, que é peça importante, mas descartável, na acusação ao Presidente Lula. Moro nasceu morto, como Cunha e Temer, depois de cumprir seu subserviente papel, será jogado na lata de lixo. É um ‘boçal’, vendido e manipulador da justiça.

O objetivo central, para que todas as suas reformas sejam aprovadas, é a inutilização política de Lula, a inelegibilidade do Petista que, para desespero deles, está à frente em qualquer simulação de votos que se faça. Eles inventaram uma mentira para encrencar o ex-presidente, não conseguiram provar sua culpa, e ainda viu a defesa de Lula provar a sua inocência, ou seja, não há a menor razão para a sua condenação. E mais, se Lula for preso sem provas, não vale a pena ser honesto no Brasil.



segunda-feira, 26 de junho de 2017

O tráfico e a guerra inútil



Não utilizo de nenhum dado oficial, ou estatístico, para iniciar uma pequena discussão sobre a inutilidade, da verdadeira guerra, que as secretarias de segurança e os órgãos de polícia e justiça travam, contra o tráfico de drogas e armas e, informalmente e de resvalo, contra toda a sociedade.

Existe um enorme esquema para a comercialização da droga, para que ela chegue até o consumidor. Não tenho informação precisa sobre o custo disso, quantas pessoas estão envolvidas e o lucro, mas imagino que isso seja meramente formalidade para chegar à conclusão de que a forma como o tráfico é combatido está errado, na raiz.

Considerando que milhares de inocentes perdem a vida por conta dessa guerra, através das chamadas ‘balas perdidas’ e outras formas de violência, não podemos aceitar a ideia de eficiência de um modelo falido de repressão às drogas.

Falando do estado do Rio de Janeiro, onde mais repercute essa guerra, a ineficácia das UPPs, que não contam com nenhum projeto socioeducativo nas áreas supostamente atendidas, transformaram a desconfiança e a remota reação em um estrondoso fiasco de avaliação, execução e resultado.

Vamos chegar em um momento em que as armas terão de ser silenciadas, as investidas policiais estancadas e repensar uma estratégia menos agressiva, que diminua as vítimas inocentes que estão no meio do escombro social que transforma cidades e ruas em campos de batalhas.

Sempre tive opinião contrária à descriminalização das drogas, mas hoje penso que seria o início de uma nova mentalidade de governabilidade. O Estado perdeu a guerra, isso é fato e notório, a sociedade precisa começar a discutir com mais profundidade essa questão, deixar a hipocrisia de lado, o preconceito de lado, olhar para o espelho e perceber que imagem quer ver refletida ali.

Ricardo Mezavila
Autor de ‘Marina e o submarino inglês’




domingo, 28 de maio de 2017

Oh, minha hunny baby!





Um fã da Diva Elza Soares pediu, pelo twitter, que a cantora evitasse falar de política em sua turnê mundial ‘A mulher do fim do mundo’, álbum aclamado pela crítica. Acabei de ouvir e assino com a crítica. Sensacional! Só que seria impossível a cantora não falar de política, porque as músicas fazem isso por excelência.

Uma mulher como Elza Soares, uma artista que muitas vezes foi, e ainda é, perseguida pelos olhos azuis e as peles brancas de uma sociedade cada vez mais estúpida e hipócrita, carrega no DNA tudo aquilo que a política sonega, rouba e macula.


Elza Soares é uma sobrevivente que caiu de pé sempre que tentaram uma rasteira. Mas as marcas não saem, as dores não passam e as feridas se espalham por outras peles, negras como a de Elzinha, pobres e sem as necessidades de consumo atendidas.

Podemos agregar uma ilustração atual ao texto. A mulher do ex-deputado e ex-presidente da Câmara, atualmente preso, Cláudia C. Cunha, fez o que fez com dinheiro roubado pelo marido e foi absolvida pelo juiz parcial Sergio Moro.

O juiz da primeira instância de Curitiba alegou em sua sentença que não havia provas contra Cláudia, dublê de jornalista, que conheceu Eduardo quando emprestava sua voz para a extinta companhia de telefonia TELERJ.

Mulheres como Cláudia Cruz, Adriana Ancelmo, Andréa Neves e etc., não são capazes de reconhecer a importância do cargo que ocupam, são mulheres fúteis e quadrilheiras, usufruem do ilícito sem cerimônia, são paneleiras. Nunca serão Rita Cadillac.

‘Me deixem cantar até o fim’ canta num lamento Elza Soares, rodopiando na encruzilhada como aquela entidade do Blues que apareceu para Robert Johnson e mudou a história da música.

Vamos celebrar todas as mulheres do fim do mundo, do planeta fome, da Maré, Campo Limpo, Brazilândia, Morro do Papagaio, Baixa da Égua, Casa Amarela, Jardim Iracema, que representam, cantando ou não, o autêntico perfil da Mulher Brasileira.

Ricardo Mezavila

Com eles mesmos (amigos heróis)





Quando percebo alguma coisa referente aos super-heróis, como música, desenho, foto, filme e, principalmente, crianças brincando, lembro com ternura dos amigos da minha adormecida infância.

Sim, meus amigos da infância eram os meus super-heróis. Eu corria com eles, voava com eles, ria com eles, me machucava com eles, me escondia com eles, eu sonhava com eles.


Esse texto, com próclises, talvez Fernando Pessoa tenha dito alguma coisa sobre isso, descobre o super-herói que nunca fui no menino que ainda sou.

Aos meus amigos, todos super-heróis de seus quadrinhos, todos vivos no eterno pátio dos meus dias de criança, paro um pouquinho, desço dos sapatos do tempo, para dizer que foi muito bom brincar com vocês.

Ricardo Mezavila.

O Eclipse do Sol





Em meio aos escombros partidários que temos que passar por cima para tentar encontrar algum ferido entre os mortos contabilizados,não ouço a voz nacional do Partido Socialismo e Liberdade - PSOL.

O PSOL foi criado a partir de uma dissidencia do Partido dos Trabalhadores, pois eram contrários às alianças do PT com conservadores da direita no primeiro mandato do Presidente Lula.

Quem milita na política tem pleno conhecimento de que nenhum governo se sustenta se não fizer uma extensa coalisão. E é ingênuo o militante acreditar que nessas alianças não possam participar alguns 'escrotos', já limados por nós em outra época. Para quem faz 'beicinho' para isso,
aconselho entrar na Escola dos Padres Jesuítas, ou estudar o Concílio de Trento,

Na minha avaliação o PSOL tinha que dar seu grito e mostrar que não é mais uma dissidencia, que o Partido tem quadros e pode sentar na mesa da sucessão presidencial com a fome e os anseios do povo.

O PSOL é um Partido regional, focado em temas locais, e é bom nisso, mas precisa de mais visibilidade, ter foco amplo e nacional. Seus parlamentares manifestam-se solitários no Congresso, nenhum capaz de superar os muros de seus quintais.

Precisamos do PSOL forte, enérgico, combatente, caminhando e tendo voz dentro das Centrais de Trabalhadores, dos Movimentos Populares, mas em nível nacional.

Faço uma analogia de comportamento usando o penalti defendido pelo goleiro Jefferson em cobrança de Messi, em um Brasil e Argentina. Após defender o pênalti, Jefferson se ajoelhou e apontou os dedos para o céu em agradecimento, quando deveria bater no peito, correr para cima do craque argentino e bradar: "Aqui não"! .

Falta ao PSOL bater no peito.

Ricardo Mezavila.😎

domingo, 9 de abril de 2017

Recorte dentro de um dia



Uma avó, incomodada com o tempo gasto pelo neto no smartphone, perguntou: - " O que tem nesse troço aí que você não para de mexer?" O neto disse que estava assistindo vídeos no youtube e que eram interessantes. A senhora pediu para que ele lhe mostrasse e o neto prontamente atendeu.
-"Olha só, vó. Esses vídeos mostram o Neymar dando dribles, fazendo gols...". A avó pediu para que ele mostrasse os dribles e os gols de Garrincha. O neto não sabia quem era. Procurou e achou vídeos repetidos. A avó questionou: - "Garrincha fez muito mais do que esses vídeos mostram e muito mais do que esse garoto com a camisa do Bonsucesso faz". É Barcelona, vó! - disse o neto. Depois mostrou um vídeo de Wesley Safadão e disse que ele ficou famoso pelas curtidas e compartilhamentos que teve. A avó pediu para ver vídeos de Chico Alves, o neto achou algumas gravações. A avó pediu que ele mostrasse o vídeo que arrancara gargalhadas dele outro dia. Ele mostrou um em que um pai prende o dente de leite, quase caindo, da filha em uma pistola de brinquedo e ela, ao apertar o gatilho, extrai o dente. A avó estranhou: - "Ué, os pais colocam essas coisas para todo mundo ver?" O neto disse que sim, que é comum postar coisas desse tipo. Depois o neto baixou o vídeo de uma mulher dentro da sala de parto; de uma família almoçando; um homem embriagado tentando subir na bicicleta; de um aluno dando um soco na professora dentro da sala de aula. A avó voltou para a poltrona e disse: - “No meu tempo não tínhamos esses recursos, mas nossos almoços eram alegres e espontâneos, a gente não precisava ficar mostrando o que estava comendo; ainda guardo alguns dentinhos de leite das crianças; lembro do nascimento de todos os meus filhos, a emoção quando peguei cada um no colo e amamentei; quando alguém exagerava na bebida a gente tomava conta e protegia para que não se machucasse. Agora, um aluno bater na professora... O que é isso? Quem filmou? O que leva uma pessoa a assistir a isso? Gente, professor tem que ser valorizado! 
O neto ouviu com atenção, desligou o ‘smart’, catou uns trocados e foi no sebo de vinil comprar um disco de Francisco Alves.



Ricardo Mezavila.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Depois da tempestade, o dilúvio.








Quase três anos se passaram desde que 'Aético', o Neves, comunicou ao país, logo após ser derrotado nas urnas, que a Presidenta Dilma Rousseff não governaria, e que entraria com pedido de impeachment no dia seguinte. 

O país estava dividido naquele momento, o Partido dos Trabalhadores estava descontente com Dilma e ela com algumas lideranças do partido. Algo estava errado, a Presidenta resistia em ouvir e, ao mesmo tempo, não sinalizava que poderia governar como havia até então.

Problemas internos do partido causaram descontentamento em parte da militância. Mesmo assim a Presidenta Dilma foi reeleita e o partido respirava ares com prognósticos mais congregadores. 

A democracia é assim, respeita-se a vontade popular, faz-se oposição, mas nunca podemos levantar a mão para seu rosto. Uma condição tão difícil de se conquistar não pode sofrer pela vaidade de uma minoria vingativa. 

Pois bem, os dezesseis meses seguintes ao segundo turno de 2014 foram de guerra contra as instituições, trincheiras foram montadas na Câmara e no Senado para tornar o governo ingovernável, uma estratégia para que a mídia, com todo o seu poder formador de opinião, pudesse transformar Dilma e o PT em 'inimigos' do povo. 

E assim foi. Nasceram ali os vulgarmente chamados de coxinhas, paneleiros e patos. A classe média 'vítima' das conquistas do governo popular de Lula e Dilma; aquela parcela da população que não se conformava em ter que dividir, principalmente, vagas em estacionamento, cadeiras universitárias e fila de check-in em aeroporto. 

Os desdobramentos do GOLPE estão aí, desde a queda de oito ministros por corrupção, em menos de um ano, passando pelas declarações misóginas do GOLPISTA Michel Fora Temer; pelo fiasco da inauguração usurpada da transposição do 'Velho Chico'; pela entrega do Pré-Sal; retirada de conquistas dos jovens nas universidades; o absurdo da reforma da previdência; o atentado às Leis Trabalhistas, e muito, muito mais do pior. 

Personagens pós-GOLPE também estão por aí como perverso produto de uma sociedade egoísta e racista.

Ricardo Mezavila, 

As mãos que alisam o cabelo







Não existe volume pra ouvir música;
Não existe medida para um abraço;
Não há forma de amar;
Não há padrão de beleza;
Não há tamanho para a dor;
Não se esconde o que inflama;
Não se cala o silêncio;
Não há o lado de fora;
Não há o lado de dentro;
Não sabemos o amanhã.


As mãos que alisam o cabelo, são as maos que agarram o tempo pelo Rabo.




Ricardo Mezavila.