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terça-feira, 8 de outubro de 2019

A primavera chegou e ninguém viu



Houve um tempo, não muito distante, em que a chegada da primavera trazia inspiração para os poetas. Nelson Sargento, o grande baluarte do samba cantou, no definitivo Cântico à natureza: “Oh, primavera adorada, inspiradora de amores, oh, primavera idolatrada, sublime estação as flores”. Em 2019, ventos neofascistas criaram uma estação vilanizadora que se colocou entre as flores, o calor, as folhas caindo e as baixas temperaturas.

Setembro entrou e ninguém viu a boa nova andar nos campos, porque não existe nada de bom nesse sol de primavera. O ocaso nas relações entre poder e povo está estacionado no horizonte impedindo a entrada da noite e o nascer de um novo dia. Apesar de você, Chico, a manhã não vai renascer e esbanjar poesia. 

Uma massa de ar pesado entrou no país, a resistência nordestina mantém um pedacinho do céu azul na consciência de suas raízes, na diversidade de sua cultura e nas tradições de suas religiões. O nordestino sempre foi vítima do abandono, da fome e da seca, mas se preservou pela força e valor de sua história. Só é primavera no nordeste!

Do jeito que vão as coisas, não serão as manifestações para denunciar quem matou Marielle e Anderson no Rio Comprido; quem atirou na kombi onde estava a menina Ághata no Alemão, e nem o discurso de Greta Thunberg na Cúpula do Clima na ONU, suficientes para empurrar essa nuvem dos nossos dias. Será preciso muito mais do que as manifestações e discursos podem nos oferecer. O fascismo é um fenômeno de massa, que segue um senhor intolerante e irracional. Para derrotá-lo será preciso união e percepção crítica, o que foi essencial para que o nordestino não se contagiasse pelo vírus da mediocridade.

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