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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O Tempo não excede





Eu já disse um dia que: o futuro não se define no por fazer, não se resume no que virá, é algum lugar do tempo mas não o tempo presumível, não é o lugar visível, tenho fé no inatingível. O lugar de as coisas acontecerem não muda, tenha certeza de que você está no lugar e na hora em que deveria estar, o contrário disso é especulação e  desculpas para encobrir alguma falha como a preguiça ou a covardia.

Se os olhos estão vermelhos à noite e o sono parece um ágil pugilista desferindo golpes contra o seu fígado, jogue a toalha porque há limite para tudo. Siga a voz biológica que pela manhã, quando a luz do dia estiver dentro do seu quarto, seu corpo estará preservado e, provavelmente, um beijo e um abraço irá acontecer na lagoa dos travesseiros e dos edredons.

Is true, há limite para tudo. Os “vencedores” dizem que não, mas isso é propaganda. Claro que há o limite, a hora em que precisamos parar e refletir, sem perder o objetivo e a ambição, é uma estratégia natural que impede alguns sacrifícios desnecessários. O princípio de ontem sempre será a continuidade de hoje, mas o amanhã só virá na capacidade que tivermos em dosar a força, avaliar rumos, nos cuidados com o amor e na manutenção da saúde.

Saúde é ter pensamentos positivos mesmo quando há algum abalo temporário, alguma ausência de anticorpos. Esse período tem que ser cercado pelo mais poderoso remédio: a alegria. Não há ausência de saúde temporária que resista a uma risada, uma música, um papo, um caminhar de mãos dadas pelas ruas. Um sentimento inesperado de felicidade invade o organismo e o sangue transporta, cuidadosamente, as pérolas que colhemos na companhia dos amigos e da família.

A panela de pressão começou a “chiar” e se o fogo não for desligado, no tempo certo, vai queimar o feijão. O limite de as coisas acontecerem pode durar o tempo da panela, o tempo da sua expectativa, da sua fé, mas nunca o tempo excedente porque o tempo nunca excede, por isso precisamos acreditar nos limites.

Ricardo Mezavila

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

G.R.E.S. Manifestantes de Rua






Eles desfilam pelas ruas do centro da cidade e dividem-se em alas: mascarados, black bloc, vândalos, pixadores, baderneiros, anônimos e liberais. Fiéis ao enredo, repetem sempre o último desfile. Por onde passam as vidraças quebram de emoção, o patrimônio público é exaltado com palavras de ordem escritas nas paredes, serpentinas de pedras cobrem bancos e lojas, confetes de concreto e metal voam pelas esquinas em cima dos foliões fardados. Abrem o desfile as categorias de trabalhadores, passam pela avenida iluminada cantando refrões, carregam cartazes alegóricos com frases de efeito. São eles que não deixam o samba morrer, são os autênticos donos da festa. Há quem sinta saudade dos antigos carnavais, daquele tempo que não volta mais. A sensação é de que as coisas eram mais organizadas, a comunidade prevalecia, turistas eram minoria. Hoje o que vemos são estrangeiros infiltrados atravessando o ritmo. Não conhecem o samba e ficam abrindo a boca para disfarçar ou gritam em um idioma desconhecido. A escola não evolui porque a bateria não ensaia, cada um toca o que quer e quando quer. A harmonia do desfile é lenda urbana, todo mundo sabe que existe, mas nunca alguém viu. O que não muda é o perfume que vem dos camarotes. A elite governamental assiste a tudo do alto do seu desgoverno, influenciam nas notas dos quesitos, favorecendo os jurados com um benefício aqui e outro ali, e eles votam na escola preferida do contraventor oficial. Tem muito gringo nesse samba! A verdadeira raiz das manifestações precisa tomar, definitivamente, a bandeira da mão dos falsos passistas. O povo, como sempre, se aglomera nos lugares mais baratos ou assiste de casa pela televisão, que capta o que interessa para esvaziar ainda mais o nosso já tão desmanchado carnaval. Chegou a hora, não podemos mais aceitar o argumento, nem deixar que o samba seja alterado tanto assim. A nossa rapaziada está sentindo a falta de um cavaco, de um pandeiro e de um tamborim.

Ricardo Mezavila.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A mão do anjo

internet



Segure na mão desse anjo que está aí do seu lado. Ele é invisível somente aos olhos, fique certo de que você é capaz de enxergar de outra maneira. Acredite naquilo que você sente mesmo que não esteja vendo. Se ele está aí é porque quer te dizer alguma coisa, ouça-o dentro do silêncio dos seus ouvidos, intelectualize sem perder a pureza e tente seguir a sua descoberta. Agora vá lá e mostre que o teu trabalho é necessário e que todos precisam da tua coragem. 

Quando estiver indo não hesite, mas também não foque somente na chegada. As entrelinhas, assim como as margens, tem muito a dizer quando se está caminhando. Vá por onde veio, siga o mesmo caminho que te trouxe até aqui. Não ignore as mensagens que saltarão à sua frente, perceba que as marcas dos teus passos ainda estão no chão e elas podem ser o guia, a palavra que você está querendo ouvir dentro daquele livro que você está precisando ler.

Continue firme no teu caminho e não acredite em quem não se acredita; não valorize quem não se valoriza; não alimente quem não se alimenta; não sustente quem não se sustenta; não ame quem não se ama. Isso são pedras ilusórias que não podem estar presentes quando se busca viver a realidade. Se tropeçar em alguma, aperte “aquele” botão e siga com determinação que nada será capaz de fazer com que você caia ou desista.

Se acontecer a fraqueza, um instante que seja, é bom pensar nas coisas que te fizeram e ainda te fazem bem. Pense na alegria que você sentiu quando seu filho nasceu; na surpresa que foi a festa do seu aniversário; no orgulho que seus pais sentiram quando você se formou; na ansiedade do primeiro beijo; na música que te acalma porque faz com que você viaje para uma época da sua vida; mas pense, principalmente, que tudo isso está vivo ainda nos seus dias, que é só saber buscar.

Quando a tempestade não passar de um copo d’agua, beba-a com vontade e voe com as asas que acabaram de se abrir junto com o teu sorriso. As coisas mais simples são as mais difíceis quando buscamos beleza e realização fora delas. Tudo o que você precisa é conviver melhor consigo mesmo. Divirta-se com tudo e aproveite enquanto puder, queremos lembrar de você sempre sorrindo, contagiando de luz os corações que vivem ao seu lado.


Ricardo Mezavila

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Velhice, Ditadura e Bieber


taquarituba


Tudo o que a mídia quer ela pode! Algo parecido com “tudo posso naquele que me fortalece”, ou outra frase bíblica qualquer que o valha. Mas a inconsequência advinda de seus deuses mitológicos beira à estupidez, quer dizer, é soterrada por ela. Valores são distorcidos e retorcidos como aquela estrutura metálica destruída pelo tornado em Taquarituba.

O astro, “mito” mirim, Bieber, fará um show no Rio em novembro, e adolescentes já estão acampados para assegurarem os melhores lugares, mas ainda estamos em setembro. O melhor lugar seria suas casas, ao lado de suas famílias. Não é conveniente que fiquem desprotegidos ao relento. O que eles esperam conseguir depois que as luzes do show apagarem e a voz do boy silenciar na acústica do sambódromo? Para uma coisa eles estão sendo aproveitados: A notícia! O que aqueles meninos tem para dizer que possa ser acrescentado à sociedade? Desconfio que seja estratégia de marketing dos empresários de Bieber.

Ali perto, na Tijuca, o deputado federal Jair, um exemplo do legado da ditadura militar, tentou invadir um evento que resgatava a memória dos tempos obscuros do período da vergonha brasileira, quando juntas militares esgotavam seus estoques de covardia e crueldade para calar a democracia com torturas. O deputado deu um soco em um senador, tudo bem que eles se merecem, mas a legitimidade do ato que ali acontecia dispensava a cobertura e a importância que a imprensa deu, o que acabou relegando o verdadeiro motivo daquele encontro para um campo menor.

A mídia me fez lembrar de um amigo que disse: “minha avó tem noventa anos e consegue colocar o pé na cabeça”. Isso é fantástico do ponto de vista físico, mas é patético se imaginarmos uma senhora com um pé na cabeça. Os idosos não são valorizados pela experiência que adquiriram e que podem passar para as gerações, mas pelas coisas que eles ainda conseguem fazer, apesar da idade. Podem reparar que todas as matérias de superação de idosos que a mídia divulga falam de velhinhos e velhinhas que dançam, correm, andam de bicicleta e namoram. Legal e ao mesmo tempo fútil. Queria ver os idosos, do alto de suas experiências e sabedoria, transmitindo seus conhecimentos.

A única coisa que penso aproveitar é a estratégia “dos caras” do cantorzinho americano, quem sabe dá para vender algum livro.

Ricardo Mezavila


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

About Rock' n Roll

Ghost


Não tem como explicar! Essa expressão é comum quando alguém que gosta, aliás, “ama o rock”, se refere ao som das guitarras, bateria, baixo e das vozes das bandas. Parece clichê e é, mas também é uma verdade autêntica. Diferente dos outros ritmos, o rock é uma onda vinda de um oceano paralelo que nunca quebra na praia, porque o vento que sopra essa onda nasce de um acorde e não do deslocamento do ar; a onda do rock é intransponível, impossível tentar quebra-la.

Os músicos de rock são anjos de chifres e demônios de asas, com todo respeito à religião, mas o rock é ateu e por isso se veste de figuras pouco ortodoxas, estão no imaginário livre e se vestem com a ira da anarquia e com a doçura da tempestade. This is rock’n roll !

A banda sueca “Ghost” fez uma apresentação no Rock’n Rio para muitos assustadora. Usam visual obscuro em suas apresentações e parecem apologistas satânicos. Isso porque o estilo musical é demonizado pela igreja e o rock, inteligente, aproveita para ironizar este estigma com irreverência e criar uma vibração, vibe, que se apodera dos “espíritos” de todos que assistem apresentações de bandas assim.

Quando a banda deu entrevista no estúdio do MultiShow, surpreendeu quando disse que a influência da banda são os Beatles e o grupo ABBA. Então vocês querem dizer que ouvem sons “comportadinhos” em casa ? É isso aí mesmo, o rock é um estilo, não é uma seita como muitos pregam, ou um grupo de loucos perversos e maus que querem esculhambar com a sociedade. O rock é um instrumento que tem nas notas e nas letras a sensação de que somos, ou se não somos, podemos ser livres.

É, não tem como explicar!

Ricardo Mezavila




terça-feira, 18 de junho de 2013

AGORA SIM, O LEGADO





O LEGADO verdadeiro que estou começando a gostar e ficar entusiasmado, está nascendo das ruas espontaneamente, vem crescendo com a força de uma bandeira que, alçada, tremula sem a sigla de partidos,sindicatos e união de estudantes. Aliás, a UNE, a CUT e o PT conseguiram, ao mesmo tempo, desaparecer do cenário popular brasileiro, foram vendidos como bananas nas feiras do poder capitalista. Sumiram das ruas com vergonha, se é que sobrou alguma, e passam o constrangimento de verem uma juventude articulada e politizada, sem que tivessem lido suas cartilhas, tomando as ruas sem corporativar e personificar e, de quebra, subir na cúpula do planalto os ameaçando.

O LEGADO é um casulo onde milhões de pessoas descobrem que são bonitas e que podem voar com suas próprias asas, não são aqueles seres que os dominantes olham como rastejantes. São pessoas livres dentro de suas consciências e que, aos poucos, avançam na direção do respeito, da dignidade e do controle da história.

ps: faço mea-culpa, UNE , CUT e PT sempre estiveram na frente das lutas populares.... 

#Lulalivre

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Movimento "Passe Livre"

Como em toda sociedade, desde as mais antigas, há várias tendências por qual as pessoas se orientam e participam. Na sociedade atual, onde o capitalismo venceu a guerra, não é diferente, mas as tendencias de direita, a do poder constituído e seus apoiadores, empurraram as outras para um abismo tão inconteste, que não tem como não reagir. Você escolhe: ou cai, ou parte para o enfrentamento. É o que vem acontecendo com esse governo que se gaba de, “pela primeira vez na história”, agregar na mesma corrente os governos executivos federal, estadual e municipal. Não há oposição e os nossos governantes usufruem de uma conta conjunta, movimentando o nosso dinheiro em eventos inúteis em detrimento da educação e da saúde. Vivem um romance bandido com o poder, fazem o que bem entendem para a alegria dos empresários, banqueiros e donos da mídia. As manifestações recentes no Rio e em SP, a despeito dos formadores de opinião e porta-vozes do governo, parece uma coisa muito bem elaborada, se não for parece, mas é evidente que isso estava para acontecer só faltavam R$0,20 para completar a “vaquinha”. Não é uma brincadeira de jovens de classe média surgida no Facebook, é sério, essa meninada não está se divertindo, querem acordar toda a nação e mostrar que a roubalheira corre solta enquanto dormem. O movimento “Passe Livre” tem todo o meu apoio e respeito, há muito o Brasil andava precisando de uma chacoalhada. NA LUTA, SEMPRE!

ps: há 5 anos escrevi esse texto, não vou apagar porque era o que sentia no momento, mas nego completamente tudo o que escrevi.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Pausa na letra

Enquanto o livro "As conversas que tivemos ontem" não estiver pronto, vou dar um tempo na letra, vou dar uma pausa. É o primeiro livro e quero que as crônicas que lá estão continuem atuais para mim. Se eu vier a escrever agora, vou ficar com a sensação de que o livro podia ter sido melhor. Então, desde que postei a primeira crônica em julho de 2011, o blog tira férias. Não escreverei até o livro sair. Depois continuo, pensado no próximo. Mas, para não ficar com teias de aranha, vou postar textos de outros autores.