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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Um bandido tosco



O desenvolvimento de um país é possível através dos homens, dos livros e do trabalho, porém não há, historicamente, oportunidades iguais para que a máxima da meritocracia se faça presente e justa.


A elite escravocrata e conservadora trata com escárnio a injustiça com a massa desqualificada profissionalmente. Não basta possuir um patrimônio, é preciso que o outro não possua nada; não basta ingressar na escola, é preciso que o outro seja analfabeto; não basta um banquete, é preciso que outro passe fome.


A sociedade brasileira sempre foi escravagista, hoje em dia até os escravos modernos do capitalismo caótico também são. Essa percepção fica evidente no resultado do sufrágio obrigatório, quando a batuta é delegada a alguém para reger a orquestra.


A força de trabalho gera o capital que escapa das mãos de quem produz, para deitar na cama de quem especula, oprime e explora. A sociedade é estorvo dela mesma quando produz a violência, sugerindo que o homem possa ter sua arma para exibir em um restaurante.


Os brasileiros da classe média, ricos e pobres, estão tendendo a entregar as rédeas nas mãos de um forasteiro, de um bandido tosco, mas que tem em seu sangue, seu bisavô foi soldado de Hitler, o desejo curricular de crime contra a humanidade.





Ricardo Mezavila

Civilização x Barbárie



O segundo turno entre Haddad e Bolosnaro, será o confronto entre a democracia e a ditadura, a solidariedade e o egoísmo, a inclusão e a exclusão, a  civilização e a barbárie. O candidato do PSL venceu o primeiro turno, 46% a 29%. 

Fernando Haddad, substituindo Lula, teve ínfimos 22 dias de campanha, enquanto Bolosnaro está há mais de dois anos. Os expressivos votos do candidato deve-se  a onda do antipetismo que a mídia criou para tirar Dilma e prender Lula.

Os eleitores do PSDB de Alckmin e da REDE de Marina Silva, votaram em massa no candidato do fascismo. Ciro Gomes do PDT, ficou em terceiro com 12% dos votos e é aliado de primeira hora de Haddad. 

Os candidatos derrotados Guilherme Boulos do PSOL, 1%, e Ciro Gomes, já reiteraram publicamente o apoio no segundo turno para que o fascismo seja derrotado.

A estratégia desses 20 dias de campanha será mostrar aos eleitores de Bolsonaro o que ele representa, suas votações como deputado federal contra os direitos trabalhistas e sociais. O atraso que seria um governo seu que, como disse seu guru Paulo Guedes, seguirá o que Temer vem fazendo, mas de forma mais rápida.

Vamos à luta, companheiros! 
#ELENAO

Ricardo Mezavila

O rato que pariu Bolsonaro.






Antes de se tornar um rato asqueroso e fedorento, o fascismo no Brasil era um camundongo perfumado, higienizado que, camuflado entre nós, passava despercebido.

Sozinho, com seus pensamentos, o ratinho sentia que algo não ia bem, seu sentimento escravocrata não admitia que o amor e a solidariedade estivessem dentro dos discursos políticos.


Quando o discurso deixou de ser somente oratória e foi para a prática, o camundongo não se conteve e deixou transparecer sua ideologia autoritária, sua inconformidade com a ascensão dos não-ratos.

Ao sair do bueiro para as ruas, o rato nazifascista percebeu que sua voz ecoava aqui e ali com uma certa frequência e potencialidade.

Rastejando pelas redes sociais, o roedor viu que não estava sozinho, que seus sentimentos de negação à democracia era uma realidade, ainda que mascarada.

Vieram as eleições e o rato, agora enorme e sujo, juntou-se a outros tantos de sua espécie e carregaram nos ombros uma personagem tirana e absolutista, que reuniu em torno de si os votos da turminha do bueiro, em grande parte frequentadores das 'assembleias' e 'universais'.

Agora que tomou as ruas, o fascismo ameaça parir um monstro em praça pública, um 'mito' que desovou e atirou seus ovos contra a classe operária, os negros, os índios, os homossexuais e as mulheres.

O rato é uma ameaça para a nossa liberdade, soberania e direitos sociais. Subvertendo os Irmãos Grimmm, o rato é quem hipnotiza os homens com sua flauta, mas como em 'O Flautista de Hamelin', a intenção é afogá-los.

Ricardo Mezavila

sábado, 6 de outubro de 2018

Olha aqui, preste atenção!



Quando o deputado J.Bolsonaro deu seu voto a favor do impeachment, naquele tenebroso abril de 2016, ele disse:"Em homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o terror de Dilma Rousseff".

O coronel, ídolo do deputado e de seus filhos, que desfilam com camiseta com o rosto do torturador, foi um dos mais cruéis militares nos porões da ditadura. Seu hobby era estuprar e colocar ratos para andar sobre as vaginas das mulheres sob tortura, como fez com Dilma.


A idolatria do ex-capitão J Bolsonaro pelo coronel B. Ustra, justifica seu desprezo pelas mulheres demonstrado várias vezes como no episódio com a deputada Maria do Rosário : "Você não merece ser estuprada", sentenciou J. Bolsonaro.

Prazer em humilhar mulher, como fazia seu ídolo, aparece quando ele diz: "mulher tem que ganhar menos que o homem", ou quando cria um projeto de lei que desobriga o SUS a atender mulheres vítimas de estupro.

A maior bandeira de J.Bolsonaro é a ideologia de gênero, nada mais que isso. Quando perguntado por uma reporter o porquê de receber auxílio moradia tendo residência própria, respondeu: "Eu uso o auxílio pra comer gente."

Sua imagem está sendo vendida, principalmente nas igrejas evangélicas, como alguém que defende a família e os costumes. O Bispo E. Macedo, dono da Record e do PRB seu partido político, está por trás de J. Bolsonaro. O sonho de E. Macedo é ser presidente da república e J.Bolsonaro é quem pode realizá-lo em 2022, se eleito.

Parece que o Brasil foi acometido por um surto da síndrome de Estocolmo, quando uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo amor ou amizade perante o seu agressor.

Lembrei de Haiti, canção de Caetano e Gil:

"Mas se você for no Pelô ( )...Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos"

"Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados"

Ricardo Mezavila.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Mas, o que é o fascismo?




Pulando a parte histórica de onde e como nasceu, o fascismo é um sistema totalitário, antidemocrático, que usa a força física e bélica como aparelhamento do poder.

A ideologia fascista está presente na fala e no comportamento do candidato do PSL e seu vice, quando humilham mulheres, negros e índios; quando diminuem a importância do Estado e os programas sociais.

O pensamento fascista está na pregação do pastor evangélico que, imbecilizado, fomenta a discussão sobre ideologia de gênero para convencer outros tantos imbecis de que isso tem alguma relevância para a sua religião.

O fascista não respeita a vontade popular, a soberania da Carta Constituinte, os poderes, a cultura e os direitos individuais.

Todo mundo tem ou teve um tio de aparência bonachona que contextualizava assim: "Tem que matar todo mundo mesmo", "pobre só serve pra ter filho", "Lugar de mulher é na cozinha" e todo mundo achava engraçado.

Não tem nada de engraçado no fascismo e, se você também pensa que a solução está em "Bandido bom é bandido morto", " castração química", e "Todo mundo tem que andar armado", você está perto de ser parido pelo sistema fascista.

Ricardo Mezavila.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Um carretel de sandices




Impressionante como os dois postulantes na chapa do PSL à presidência da república, conseguem dizer tantos absurdos para seus eleitores sem recearem uma debandada de votos.

Ou eles confiam no taco, em um golpe, ou então consideram que seus eleitores são demasiadamente alienados e asnáticos para não entender o que eles estão propondo.


Do capitão pode-se escrever uma enciclopédia volumosa de sandices contra a classe trabalhadora em geral e contra as minorias.

O candidato ataca os gays, os negros, os índios e, sua predileção, as mulheres. Com frases impactantes derruba as condições mínimas de convivência pacífica e civilizada.

O general e candidato a vice, desfila seu bloco de perversidades contra a sociedade de maneira autoritária, vil e covarde.

Ainda dá tempo, para que aqueles que tendem a votar nos fascistas, se informarem, refletirem e não compactuarem com o retrocesso de uma chapa que incentiva a barbárie.

Ricardo Mezavila.

O 'espantalho' Bolsonaro



As manifestações que acontecerão amanhã e que tem como slogan #ELENAO, está me parecendo um movimento da direita para derreter Bolsonaro e alavancar, ou o verdadeiro candidato do mercado, Geraldo Alckmin, ou o multipartidário e desequilibrado, Ciro Gomes.

Em 2013, o PSDB unido com setores da mídia, fez um balão de ensaio usando o aumento das passagens na cidade de São Paulo como argumento para levar às ruas uma massa pronta para ser manobrada contra a Presidenta Dilma, nas eleições do ano seguinte.


Na época surgiram movimentos como o MBL nas redes sociais, que se apresentavam como apolíticos e que pretendiam, enrolados em bandeiras, varrer da política os corruptos. Eram grupos que se diziam autônomos, nascidos da indignação dos 'verdadeiros' brasileiros.

O que aconteceu nunca vamos esquecer. A massa manipulada foi às ruas e, o movimento que era apartidário, de repente foi apropriado, e o PSDB comandou o maior golpe parlamentar-jurídico-midiático da história desse país.

Por isso, apesar de lutar pela derrota do fascismo, tenho motivos para pensar que Bolsonaro é apenas o espantalho do movimento. Tem um caroço debaixo desse angu que pode vir a engasgar mulheres de boa vontade. Torço para que a estratégia faça 'água' e que no meio do caminho, tão tortuoso, não tenha mais uma pedra

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O fascismo não vai ser derrotado nas urnas

O golpe de 2016 libertou a fera do fascismo que adormecia no coração de parcela da sociedade saudosa da tortura que não sofreu, do filho que não desapareceu, do pai que não foi enforcado, da mãe que não foi estuprada, do irmão que não foi fuzilado, do amigo que não foi condenado.

Com a jaula aberta e o cadeado em sua mão, o fascismo avança para cima da democracia com fome e com ódio, não sem antes mostrar sua máscara de homem de bem, de mulher recatada e de profeta evangélico.


Não vamos derrotar o fascismo nas urnas, porque ele já está entre nós, do lado da nossa casa, atrás das mesas nos escritórios, dentro dos transportes, nas ruas, nos mercados, na programação da TV, nas redes sociais da internet.

O engajamento contra o fascismo tem de ser enérgico, é preciso desenterrar cada semente plantada para que não venha a se transformar em uma planta venenosa, onde nossas crianças possam vir a ficar expostas quando estiverem brincando no jardim do futuro.

Depois das eleições, vencidas ou não pela democracia e pela esperança, vamos continuar na vigília contra as vozes do fascismo. Seus ideais são difusos e subliminares, mas não a ponto de ficarem invisíveis, porque estão nas mãos que agridem a mulher, no chicote que oprime o trabalhador, na voz que incita o ódio contra as comunidades quilombolas e indígenas.


Ricardo Mezavila.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Um acerto de contas



Com o cenário apontando o segundo turno entre Fernando Haddad do PT e Jair Bolsonaro do PSL, a sociedade vai estar diante de duas vertentes transparentes e limpas. Nas eleições anteriores a bola ficou dividida entre o programa neoliberal e o socialista democrático.

Nessas eleições, além das questões programáticas, entra em campo discussões mais profundas como o avanço do neofascismo, da elite escravocrata, na carona da candidatura de Bolsonaro. Do lado oposto está a candidatura de Fernando Haddad que representa os programas sociais, às Universidades para todos, os direitos trabalhistas.


A sociedade vai poder ir às ruas, sem máscaras, para defender suas posições. Quem vota em Bolsonaro vai poder explicar os motivos, em não sendo racista, votar em racista; em não sendo homofóbico, votar em homofóbico; em não sendo misógino, votar em misógino.

O Brasil vai poder passar a limpo a história de barbáries e golpes recentes. Quem apoia o fascismo, mesmo ingenuamente, vai ter oportunidade de ser confrontado e, quem sabe, despertar e refletir sobre o futuro que pretende deixar para os seus filhos e netos.

Vai ser uma disputa. pelo menos no campo sociológico, de grandes cortinas sendo retiradas dos palcos, de discussões acaloradas que, assim espero, fique no campo das ideias.

Ricardo Mezavila.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O eleitor e o burrico






O primeiro livro que li foi 'Burrico Lúcio', do escritor sírio-greco-romano Luciano de Samósataque. O livro conta a história de Lúcio, um jovem que é transformado em um burrico e se vê, de uma hora pra outra, às voltas com ladrões, aproveitadores, servos e escravos, vivendo com eles uma série de aventuras.

Adolescente tive a oportunidade de ler 'Metamorfose', do escritor alemão Franz Kafka. Numa certa manhã, Gregor Samsa acorda metamorfoseado num inseto monstruoso. Kafka descreve este inseto como algo parecido com uma barata gigante.


Existem muitas semelhanças entre um 'homem burro' e um 'homem barata'. O jovem Lúcio, por exemplo, na condição de animal, tem uma vida agitada, aprende com suas experiências o que é bom e o que é ruim. Quando volta ao normal é um jovem amadurecido e consciente.

O caixeiro viajante Gregor Samsa, personagem de Kafka, quando se vê no corpo de uma barata não se preocupa pela transformação, mas sim pelo fato de estar atrasado para o trabalho. Samsa abandonara seus desejos para sustentar a família e pagar as dívidas de seus pais.

Gregor e Lúcio são personagens atuais com os quais convivemos internamente. Ambos tiveram a experiência de viver uma outra vida, de se colocar no lugar do outro. Seria institucionalmente benéfico se, na hora de votar, os eleitores fossem mais Gregor e Lúcio e menos burricos e baratas.

A literatura é capaz de transformar insetos em homens, príncipes em sapos, abóboras em carruagens. Fora a literatura somente a política é capaz de transformar o homem em outra coisa, objeto ou animal.

Ricardo Mezavila.